Bem Vindo à Sete Print

Dinheiro extra com cartucho vazio
 “Costumo pagar de R$ 1 a R$ 30 por um cartucho vazio de impressora. Chego a revendê-lo por 40% do preço cobrado por um novo, em uma papelaria”, afirma. Em média, um produto novo chega a custar entre R$ 50 e R$ 200. No caso dos toners, este valor varia de R$ 200 a R$ 3 mil. No Brasil, o mercado de reciclagem de cartuchos e toners para impressoras movimenta cerca de R$ 100 milhões por ano e emprega mais de 68 mil pessoas — 54 mil delas só em São Paulo. Além de lucrativo, o setor está em expansão e tem uma média anual de crescimento de 30%. “Esta atividade surgiu no país no fim de 1989. Hoje, há mais de 12 mil empresas que trabalham com esse tipo de reciclagem no país. Em São Paulo , são sete mil”, conta Luiz Pernambuco, membro da AFTM Internacional — associação que faz testes e desenvolve métodos para o setor de reciclagem.

Mas não é todo cartucho que pode ser reaproveitado. Devaney Franzato Junior, por exemplo, tentou vender 36 deles para a empresa de Flávio, mas não conseguiu. “Eles já foram remanufaturados e não poderão ser utilizados de novo”, lamenta. Se tivesse conseguido vender o material vazio, ganharia R$ 540. Já Flávio, revenderia os produtos reciclados e prontos para o uso dos consumidores por R$ 1.440. “Um cartucho pode ser remanufaturado, em média, três vezes. Já no caso de recarga, o tempo de vida sobe para dez vezes”, afirma Flávio. Há dois processos de recuperação dos cartuchos de impressoras: a recarga e a reciclagem. “Na recarga, apenas colocamos tinta de novo. Já na reciclagem, não. Trocamos as peças necessárias, embalamos, colocamos na caixa e damos nova garantia”, diz ele.

Pernambuco explica que, quanto menos se paga pelo cartucho, menor é a qualidade dele. A economia pode chegar a 60%. “É preciso ter cuidado e avaliar a empresa que vende o produto. Um cartucho ou toner de qualidade ruim pode não só prejudicar a impressão como também provocar problemas técnicos no computador do consumidor”, alerta. O especialista recomenda alguns cuidados na hora da compra: pedir a nota fiscal, checar se a empresa recolhe impostos e se testa os cartuchos antes de vendê-lo, além de exigir garantia do material comprado.

Segundo Pernambuco, 50% das compras de cartuchos reciclados são feitas por pessoas físicas. Já no caso dos toners, 95% do consumo é feito por empresas. No ano passado, por exemplo, o Banco do Brasil conseguiu economizar cerca de R$ 41,7 milhões ao recondicionar 52,8 mil cartuchos e toners das impressoras. Só até maio deste ano, a economia do BB chega a R$ 18 milhões. Se o banco voltasse a comprar cartuchos novos, os gastos subiram para R$ 23,4 milhões, em vez dos R$ 5,4 milhões.